📄 CARTA ABERTA
Não se faz educação de qualidade sem ouvir os Educadores Municipais de Campinas!
No dia 20 de fevereiro, a Secretária de Educação deu uma entrevista. Falou sobre os 41% de alfabetização no 2º ano, mas omitiu o essencial. Por isso, viemos a público denunciar o que ela não disse e escancarar o descaso com a nossa rede.
1 - O mito do fracasso escolar
A nossa rede é organizada em ciclos. As crianças têm até o 3º ano para se alfabetizarem, justamente para incluir e respeitar o tempo de cada uma. Ao pressionar por índices no 2º ano, a Secretaria transforma a escola em um centro de treinamento para provas, produzindo leitores mecânicos que não compreendem o que leem. O problema não é a criança, é a pressão por números estéreis.
2 - Contenção de danos
Sabemos da importância da alfabetização e, desde a pandemia, temos nos dedicado a reparar a defasagem. Mas o que fazemos é apenas conter os danos causados pela precarização das condições de trabalho. Não há política de resultados que se sustente com salas superlotadas, calor insuportável, falta de profissionais de apoio e um único professor para dar conta de todos. Querem resultado? Ofereçam condições dignas!
3 - O “modelo” Estadual, não queremos
A secretária citou a rede estadual como exemplo. Nós conversamos com esses colegas e sabemos a realidade: falta de autonomia, professores amarrados a planos de aula prontos e pressão por desempenho a qualquer custo. Esse não é o caminho da emancipação humana, é o caminho do adoecimento e do esvaziamento do aprendizado real. Não queremos uma educação que treina para provas; queremos uma que forma cidadãos.
4 - Escuta ou farsa?
Visitar escolas e perguntar aleatoriamente o que “falta” não é ouvir os profissionais. A nossa rede tem uma história de Gestão Democrática consolidada nos Conselhos de Escola, CPAs, Grêmios e nos nossos espaços de trabalho coletivo (TDCs, HFAMs, TDFs). É nesses fóruns legítimos que discutimos diariamente a qualidade da educação e como construí-la. Ignorar esses canais é um ataque à democracia e um silenciamento da nossa categoria.
5 - Entregar nossas Diretrizes à iniciativa privada é inaceitável!
Passamos o ano de 2025 debatendo a atualização das nossas Diretrizes Curriculares. Escolas inteiras contribuíram. Agora, a SME quer jogar todo esse trabalho no lixo e entregar nossa proposta pedagógica para a empresa Fini & Fini, de Maria Inês Fini. Não aceitaremos que terceirizem a construção do nosso currículo! Tirem as mãos das nossas Diretrizes!
Denunciamos também o sucateamento geral da cidade: a falta de profissionais na saúde impede os encaminhamentos necessários; a superlotação das salas inviabiliza uma educação inclusiva; e a ausência de funcionários sobrecarrega quem está na ponta. Chegamos a esse ponto após anos de um mesmo grupo político no poder que insiste em não nos ouvir e em não atender às demandas da população.
Nós, educadores de Campinas, temos competência, história e proposta. Não nos calaremos diante da tentativa de nos transformar em meros executores de pacotes privados e metas irreais.
Nossa voz precisa ser ouvida!
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE SE FAZ COM VALORIZAÇÃO, DEMOCRACIA E CONDIÇÕES DE TRABALHO!
FORA FINI & FINI DAS NOSSAS DIRETRIZES!
Coletivo de Educadoras e Educadores das Escolas Municipais de Campinas
Campinas, fevereiro/2026.

